3 de septiembre de 2006


Invierno
o lobos en una estación seca
Germinamos por todas partes
Amando la lluvia,
Adorando el otoño.
Un día incluso pensamos en mandar
Una carta de agradecimiento al cielo
Y en lugar de un sello
Pegarle
Una hoja de otoño.
Creíamos que las montañas se desvanecerían,
Los mares se desvanecerían,
Las civilizaciones se desvanecerían
Pero permanecería el amor.De pronto nos separamos:
A ella le gustan los grandes sofás
Y a mí me gustan los grandes barcos,
A ella le gusta susurrar y suspirar en los cafés
Y a mí me gusta saltar y gritar en las calles.
A pesar de todo
Mis brazos se abren al universo
Esperándola.

Muhammad Al Magut

6 comentarios:

Choninha dijo...

Amiga, estou em Palma de Maiorca: estamos a gostar muito!, todos los Piera! Es precioso este mar! Me encanta! Bejos de los Piera, em casa te lerei...

Arnicio Ciencalles dijo...

Se nota que te gusta la poesia arabe. De tanto leerte me convertire en un fiel seguidor de ella jaja...

Saludos desde la fria ciudad de Santiago de Chile.

LUIS AMÉZAGA dijo...

Cuando abro los brazos percibo el vacío que abarcan.

Kadannek dijo...

Bello. Es que no hay otra palabra. Bello.

zenite_2 dijo...

"O meu filho coloca à minha frente a sua caixa de tintas
E pede que eu lhe desenhe um pássaro...
Embebo o pincel na cor cinza
E desenho-lhe um quadrado com um cadeado... e barras.

O meu filho diz-me, e o espanto preenche os seus olhos:
“Mas isso é uma prisão...
Pai, não sabes desenhar um pássaro?”
Digo-lhe: “Meu filho... não me leves a mal…
De facto, esqueci a forma dos pássaros.”

O meu filho coloca à minha frente sua caixa de lápis
E pede que eu lhe desenhe o mar...
Apanho um lápis
E desenho um círculo negro...
O meu filho diz-me:
“Mas isso é um círculo negro, meu pai...
Não sabes desenhar o mar?
Não sabes que o mar é azul?”

Digo-lhe: “Meu filho,
No meu tempo eu era perito em desenhar mares…
Quanto a hoje... Levaram o meu anzol
E o barco pesqueiro.
Proibiram-me o diálogo com a cor azul
E de fisgar o peixe da liberdade”.

O meu filho coloca à minha frente um caderno
E pede que eu lhe desenhe uma plantação de trigo.
Apanho a caneta
E desenho-lhe um revólver.
O meu filho zomba da minha ignorância nas artes plásticas
E diz surpreso:
“Não conheces a diferença entre o trigo e o revólver?”

Digo-lhe: “Meu filho,
No passado eu conhecia a forma do trigo,
Do pão e da rosa,
Mas neste tempo metálico
Em que as árvores da floresta se uniram
Aos homens das milícias
E em que a rosa passou a vestir roupas camufladas
No tempo das espigas armadas,
Dos pássaros armados,
Da cultura armada,
E da religião armada...
Não há pão que eu compre
Que não contenha um revólver
E não há flor que eu colha no campo
Que não me aponte um revólver.
Não há livro que eu compre
Que não venha a explodir entre os meus dedos...”

O meu filho senta-se na borda da cama
E pede que eu lhe recite um poema.

Uma lágrima minha cai no travesseiro.
Ele recolhe-a perplexo e diz:
“Mas isso é uma lágrima, meu pai, não é um poema”
Digo-lhe:

“Quando cresceres, meu filho,
E leres uma antologia de poesia árabe,
Saberás que a palavra e a lágrima são irmãs
E que a poesia árabe
Nada mais é do que uma lágrima que emerge de entre os dedos”.

O meu filho coloca à minha frente as suas canetas e sua caixa de tintas
E pede que eu lhe desenhe uma pátria.
O pincel estremece na minha mão...
E caio chorando..."


Nizar Qabbani (Poeta Sírio)

anatema dijo...

Gracias Zenite por darme a conocer ese espléndido poema que dice tanto del pueblo árabe.

EN ESTOS TIEMPOS METÁLICOS EN QUE VIVIMOS LLEGARÁ UN DÍA EN QUE LA PATRIA, CUALQUIER PATRIA, SERÁ IRRECONOCIBLE Y SÓLO PODRÁ SER REGADA POR NUESTRAS LÁGRIMAS QUE CORRERÁN AL UNÍSONO CON LAS DE NIZAR QABBANI.

El poema es sobrecogedor. Gracias amigo.

Un abrazo.